Sobre um certo quinteto.

Foi no ensino médio que vivi as emoções mais intensas, e a maior de todas foi com certeza a descoberta das amizades realmente verdadeiras. Sempre fui muito apegada a essa coisa de amigos, muito, hoje tenho uma árvore da amizade com raízes realmente fortes, mas esta história é só sobre uma delas.

Aos cinco anos conheci a Taiany e a Thayane. Taiany e eu sempre fomos extremamente próximas e queridas uma para a outra, a Thay estudou comigo na creche somente, fomos separadas de classe o resto de nossas vidas. Conheci Andrezza aos oito anos na igreja e por coincidência passei pra turma dela quando troquei de turno por quebrar o braço brincando com a Taiany. Danielle foi a ultima, conheci aos nove anos na quarta série quando juntaram nossas turmas. Da minha parte foi amizade a primeira vista, da parte dela nem tanto.

Numa manhã qualquer já no segundo ano no ensino médio, a Andrezza com seu jeito peculiar para piadas patéticas conheceu a Thayane parando ela no corredor e fazendo uma piada sobre um dedo mindinho que envolvia o presidente Lula. Thayane ficou indignada e assim iniciou, acredite, uma bela e forte amizade.

Depois de tantas idas e vindas, andando pra lá e pra cá, foi no último ano que aconteceu a história sobre o melhor grupo de amigas que participei. Eram as mesmas meninas de uma vida, apenas com uma formação diferente desta vez.

Era sempre no intervalo, das nossas reuniões saiam sempre umas boas gargalhadas e histórias que lembraremos para o resto das nossas vidas. A gente tinha uma conexão, era bem isso, era como um ímã, que nos desculpem nossas outras amigas. Ficar juntas se tornou nosso cotidiano.

Nos víamos todos os dias e passávamos a maior parte do nosso tempo juntas. Era pela manhã no colégio, pela tarde, vezes na educação física, vezes nas visitas que fazíamos e a noite no cursinho pré-vestibular que quase não participávamos.

O intervalo já se tornara curto pra gente, na aula atrapalhávamos uma turma inteira por não conseguir parar de conversar e conter as risadas. O que resultou num bafafá de o quanto éramos inconvenientes e gazeteiras.

No inicio a intenção era se esforçar, queríamos ser aprovadas no vestibular, mas chegou uma hora que nos perguntamos o que faríamos. Era o nosso ultimo ano, ou nos dedicamos de verdade pro vestibular – e corremos o risco de não passar – ou aproveitamos o ultimo ano pra nos divertimos o máximo que pudéssemos. Certamente nossos pais esperariam que com a educação que tivemos optássemos pela primeira opção e fizéssemos com que se orgulhassem. Bem, não desta vez.

Algumas noites matávamos aula pra dar voltas de moto pela cidade, outras pra comer os jambos que caíam das arvores do cursinho, outras pra simplesmente não fazer absolutamente nada – essas eram as noites que rendiam mais histórias. Sempre alguma coisa muito fora do normal ia sair da boca de alguma de nós.

Nossa amizade nem se comparava à tantas daquelas que víamos no pátio da escola e que hoje, como desconfiávamos, não existem mais. Nunca foi por futilidade, nunca foi por interesse, por influência, a gente aconteceu. É evidentemente que é uma daquelas coisas escritas por Deus, acho que por isso é que é tão mágico.

Juntas somos um caldeirão de coisas boas. Cada uma é um elemento essencial. Cada uma tem uma personalidade diferente e igual em algum aspecto.

Nossa amizade é cheia de peculiaridades que só a gente conhece, como quando ficamos chateadas e esperamos aquele tempo – que eu não sei bem quanto é – pra pedirmos desculpas. Discutíamos como ninguém, nos repartíamos, fazíamos as pazes, chorávamos e era assim.

Quando estávamos juntas parecia que não havia mais ninguém naquele ambiente. Todos os dias era uma nova historia e um novo motivo pra dar aquelas gargalhadas que as pessoas da rua ficavam cochichando “aquela não é a filha da fulana?”.

Temos as melhores histórias que conheço. As mais engraçadas e inusitadas. Relembrar é nosso passatempo quando nos reencontramos hoje em dia. Não tem como esquecer da grande maioria de coisas especiais vividas com elas, como quando aproveitamos o apagão no cursinho pra brincar de pirque-esconde com meninos – e aquela foi uma das poucas noites que participamos da aula. Ou quando tive a melhor festa de 16 anos que uma garota poderia ter. Minhas melhores amigas se desdobraram, se desentenderam, passaram por umas e outras pra reunir tudo o que eu mais queria em um só momento. Foi a maior demonstração de amor que já ganhei delas. Até hoje “obrigadas” e “te amos” parecem não ser suficientes para demonstrar minha gratidão.

Como esquecer nossa primeira ida na faculdade? Aquele dia foi a briga do século. Eu me lembro de não saber se ria ou se falava umas verdades pra Andrezza, no fim, ela ficou no meu lado e brigou com a Taiany(?) hahahahahahahaha, coitada.

Ou quando a mochila da Dani ficou presa dentro da sala no cursinho quando todo mundo já tinha ido embora. Lembro que nessa mesma noite ela quis dar uma de radical e subir na praça comigo de moto, fomos perseguidas por um policial que nos deu uma advertência falando coisas das quais não me lembro bem, só sei que não nos contemos e rimos dele como se estivesse contando uma piada. Um desacato, mas foi.

Uma história épica da nossa amizade foi a comemoração de fim de ano, em que fizemos amigo oculto e um almoço pra cinco. Era pra ser lasanha, mas não gosto de camarão e a Andrezza não queria frango, a Thay achava nada haver queijo ralado e as outras duas só não queriam nada das opções que demos.

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Por mais que não pareça, temos uma sintonia de nós cinco que é uma coisa perfeita. A gente achava nossa amizade tão especial que até queríamos escrever um livro sobre.

O fato é que me sinto orgulhosa por tê-las, por saber que entre tantas pessoas no mundo eu tenho a sorte – ou benção – de conhecer a plena amizade. Com certeza foram a minha melhor conquista na escola. Sou grata todos os dias por cada uma delas, por cada maluquice que me fizeram fazer, por cada mico, por cada palavra, conselho, mão, abraço, afago.

Hoje em dia somos mais maduras, temos mais responsabilidades e menos tempo, mas quando estou com elas vejo que nada mudou. Ainda relembramos nossas histórias, ainda rimos das mesmas coisas. Ontem foi assim, vi que estamos mais vivas umas pras outras do que eu achava que estávamos. Tenho certeza que mais coisas irão vir para nós. Mais alegrias, mais momentos e mais motivos para sorrir.

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Com amor, dedico à Taiany Gama, Thayane Paes, Andrezza Pelegrini e Danielle Oliveira.

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